Inaugura-se cada começo. E este tem o sabor do contragosto de Ricado Alberty – a da história da galinha verde que outros não queriam que fosse verde. Queremos ver de dentro, ao perto, com os nosso olhos. E não será nenhum enigma ver verde o que todos querem que seja amarelo.
Reconto, por Tatiana
Era uma vez um cãozinho muito generoso e que só gostava de fazer coisas nobres. Era uma cão de quinta, mas não era um cão como os outros, era muito especial.
Ele tinha um trabalho. Melhor… tinha muitos e todos eles muito importantes. Guardava uma carroça e ficava de vigia na quinta, entre outros.
Uma vez, numa noite, um homem tentou roubar um saco de trigo, mas o cão caçou-o agarrando-lhe uma ponta das calças com os dentes. Com dificuldade o homem lá conseguiu soltar-se e, cheio de raiva, tentou afogar o cão prendendo-lhe uma corda ao pescoço com uma pedra numa das pontas. Quando o ladrão o atirou à água, desequilibrou-se e também foi junto com o cão. Aflito, o cão queria vir ao de cima, mas não conseguia. Passado algum tempo, o cão conseguiu soltar-se e, como sabia nadar, chegou a margem. Foi nessa altura que viu que o feitiço se tinha virado contra o feiticeiro mas, quando vinha a sair da água, teve pena do homem e foi salvá-lo. Então acabaram amigos os dois.
Texto baseado no conto de Guerra Junqueiro, “Piloto”.
Excelente trabalho!!!
A propósito da cor da esperança [?], lembrei-me de uma “singela” história, “inocente”, de Luísa Ducla Soares, «A menina verde», Livros Horizonte, 1987. A não perder! Na sequência surgiu-me este poema de ALBANO MARTINS:
Secura Verde
É verde esta secura, como é verde
a raiz duma planta que secou.
Posso ter o corpo aberto
e não mostrar o que sou.
Meus versos podem ser tristes
e eu ter profunda alegria.
Aves nocturnas que buscam,
inquietas, a luz do dia.
Albano Martins, «Secura Verde», 1950
O texto da Tatiana é muito interessante. Fico à espera da sua próxima história.